A Ética de al-Kindī:
sobre a Felicidade n’A Arte de Dissipar a Tristeza
DOI:
https://doi.org/10.25244/1984-5561.2025.7722Palavras-chave:
al-Kindī, Ética, Felicidade, DesejoResumo
O presente artigo visa estabelecer uma concepção de Felicidade na Ética de al-Kindī a partir da análise de seu texto epistolar A Arte de Dissipar a Tristeza. Na contramão da leitura da maior parte dos pesquisadores, que consideram que a obra se trata de um manual terapêutico ou um conjunto de orientações morais desprovida de fundamentos teóricos mais fundamentais, argumenta-se aqui que A Arte de Dissipar a Tristeza é um opúsculo profundamente ancorado em pressupostos Epistemológicos, Metafísicos, Psicológicos etc. Portanto, lê-se a referida obra como um verdadeiro tratado de Ética no qual a Felicidade ocupa um lugar importante. A questão é que o tratamento da Felicidade se articula em dois modos: uma felicidade na vida terrena proporcionada pelo regramento das paixões e reorientação do desejo que deve ser direcionado para os verdadeiros bens (as coisas inteligíveis); a outra Felicidade realizável somente quando nossa alma se separa do nosso corpo, quando a alma contempla o mundo inteligível de maneira plena. Ambos modos são expressão do desejo plenificado alcançado pela obtenção dos bens que são permanentes e necessariamente alcançáveis.
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