A cidade como artefato trágico em Hécuba de Eurípides:

individuação e responsabilidade no projeto socrático de filosofia

Autores/as

  • Francisco de Assis Vale Cavalcante Filho UFPB

DOI:

https://doi.org/10.25244/1984-5561.2024.6183

Palabras clave:

Platão, Eurípides, Causa final, Responsabilidade, Destinação

Resumen

Parto da noção de projeto filosófico para conferir unidade a uma leitura comparada dos diálogos socráticos e da tragediografia encenada em Atenas. Sócrates, apesar de não reivindicar um saber, ao opinar, marca posições políticas, as quais crê justificar. Ao ler Hécuba percebi um esquema similar ao do Fédon: apologia da protagonista, clímax e resolução. Sócrates, como Polixena, se dirige voluntariamente para o sacrifício que uma maioria, da qual não participa, lhe impõe. Ambos se investem do heroico, conduta compatível com o estimado melhor caráter. Platão aceita como Eurípides que a cidade seja responsável pelos males que sobre ela se abatem. Discorda, porém, que os deuses sejam causa disto e se afasta da crença na impossibilidade de autonomia, para ele política, do humano face à vida e deuses. Contra a concepção de uma destinação trágica, o ateniense propõe uma filosofia política, em que cidade e cidadão são vistos um em função do outro. Uma vez que não se instauram em nós por natureza, é decisivo que o cidadão seja educado a buscar a excelência que gera a política, sem a qual é impossível pensar o limite, a medida e a responsabilidade da ação que cabe ao coletivo e a cada um.

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Biografía del autor/a

Francisco de Assis Vale Cavalcante Filho, UFPB

Leciona atualmente disciplinas de História de Filosofia Antiga no departamento de Filosofia da Universidade Federal da Paraíba. Doutor em Filosofia, defendeu a tese sobre "Os Problemas da Opinião Falsa e da Predicação no diálogo Sofista de Platão" pelo Programa Integrado de Doutorado em Filosofia - PIDFIL (UFRN/UFPB/UFPE/2013). Mestre em Filosofia (UFPB/2008), sua dissertação intitulada "O problema do não-ser no Sofista de Platão" e sua tese de doutorado foram ambas aprovadas com distinção. Bacharel em Ciências Sociais (UFPB/2006), realizou pesquisa junto ao CNPQ (PIBIC) nas áreas de Sociologia e Antropologia (2003/2005).

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Publicado

2024-12-30

Cómo citar

CAVALCANTE FILHO, Francisco de Assis Vale. A cidade como artefato trágico em Hécuba de Eurípides: : individuação e responsabilidade no projeto socrático de filosofia. Trilhas Filosóficas, [S. l.], v. 17, n. 1, p. 45–64, 2024. DOI: 10.25244/1984-5561.2024.6183. Disponível em: https://homologacaoperiodicos.apps.uern.br/index.php/RTF/article/view/6183. Acesso em: 7 jul. 2026.

Número

Sección

DOSSIÊ FILOSOFIA E LITERATURA (v.17, n.1, 2024)