Madame Margô e a fabulação literária da pombagira no conto Lupanar (2024) de Leila Tabosa
DOI:
https://doi.org/10.59776/2357-8203.2026.7472Palavras-chave:
fabulação crítica, pombagiras, Interseccionalidade, Colonialidade, afro-religiosidadeResumo
Em Lupanar (2024), Leila Tabosa nos apresenta Madame Margô, personagem que, ao confrontar as normas sociais em busca de sobrevivência, personifica a força, a sensualidade e a liberdade, usando de sua resiliência feminina para enfrentar os processos interseccionais de gênero e classe a qual é exposta. Devido a sua trajetória biográfica e personalidade, buscamos analisá-la enquanto manifestação literária das entidades afro-brasileiras conhecidas como Pombagiras. Barros (2015) e Saraceni (2017) conceituam-nas como entidades de extrema relevância cultural e religiosa para os povos tradicionais de terreiro. Além de estarem frequentemente associadas à sexualidade, à liberdade e à transgressão, desafiando normas sociais e papeis de gênero tradicionais e representando a força feminina primordial sob a ótica das religiões afro-brasileiras. Para nossa análise, exploramos o emprego da Fabulação Crítica, teoria de Saidiya Hartman (2020), enquanto técnica literária encorpada por Tabosa para a fabulação de uma personagem fictícia que ao não se render à expectativa de uma sociedade patriarcal, pode ser considerada como a quintessência das pombagiras. Essa fabulação, assim, emerge como metodologia primordial para desvelar narrativas de mulheres silenciadas ao transcender a mera ficção, permitir que nos aproximemos de experiências de sujeitos historicamente invisibilizados ao utilizar a imaginação crítica para dar voz a essas vivências e saberes insurgentes. Celebrando a cultura afro-brasileira, a literatura feminina e a literatura decolonial, essa pesquisa visa contribuir para estudos sobre fabulação crítica, religiosidade e interseccionalidade, além de ancestralidades femininas que não se renderam às padronizados moldadas pela colonialidade e que transgridem, através da literatura, as estruturas de poder coloniais.
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Referências
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