As disputas discursivas em torno do 8 de março

as transgeneridades e o fundamentalismo religioso no Congresso Nacional Brasileiro

Autores

  • Lorena de Miranda Ferreira Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
  • Benjamim Lopes Duarte Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
  • Levir Ezequias Neres de Melo Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
  • Marcos Paulo de Azevedo Universidade do Estado do Rio Grande do Norte https://orcid.org/0000-0003-2194-5751

DOI:

https://doi.org/10.59776/2357-8203.2026.7471

Palavras-chave:

Discursos, Subjetividade, Transexualidade

Resumo

Este artigo analisa os discursos proferidos pelo deputado federal Nikollas Ferreira e pela deputada Érika Hilton no dia 8 de março de 2023, Dia da Mulher. Levando em consideração que em 2022, pela primeira vez, duas mulheres trans foram eleitas para ocuparem vagas no Congresso Nacional, houve, com a eleição delas, a promoção de discursos políticos de confronto aos valores cisheteronormativos e discussões sobre as questões de gênero e sexualidade, seja a partir de suas atuações, seja a partir dos discursos excludentes promovidos por outros deputados, que as deslegitimam e desvirtuam suas vivências. Nesse sentido, o presente trabalho objetiva analisar as posições discursivas antagônicas assumidas pelo conservadorismo e pelas transgeneridades na Câmara e nas redes sociais no que diz respeito à identidade “mulher". Para alcançar isso, utilizou-se o método da análise do discurso sob a perspectiva da discursividade e biopoder de Foucault (2008), gênero, sexualidades e transgeneridades por Butler (2002, 2018 e 2021) e os transfeminismos de Nascimento (2021). Sob essas perspectivas, o corpus analisado foram os discursos proferidos por Nikollas Ferreira, na Câmara dos Deputados, no Dia da Mulher de 2022, e por Érika Hilton, especialmente, em um vídeo, postado na mesma data em suas redes sociais. A partir disso, conclui-se que os corpos são, sobretudo, discursivamente construídos, visto que as duas deputadas têm sua subjetivação como mulheres e, consequentemente, representam uma disrupção de gênero frente ao ideário religioso essencialista. Desse modo, as comemorações do Dia Internacional da Mulher no Congresso Nacional exemplificam os diferentes mecanismos de controle que desembocam em violências de gênero, voltadas, sobretudo, para discursos que questionam institucionalmente o “ser mulher”.

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Biografia do Autor

Lorena de Miranda Ferreira, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Graduanda do Curso de Letras com habilitação em Português e suas Respectivas Literaturas (UERN).

Benjamim Lopes Duarte, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Graduando do Curso de Ciências Sociais e Políticas (UERN). 

Levir Ezequias Neres de Melo, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Graduando do Curso de Letras com habilitação em Português e suas Respectivas Literaturas (UERN). 

Marcos Paulo de Azevedo, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Professor Doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). 

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Publicado

26-03-2026

Como Citar

FERREIRA, Lorena de Miranda; DUARTE, Benjamim Lopes; MELO, Levir Ezequias Neres de; AZEVEDO, Marcos Paulo de. As disputas discursivas em torno do 8 de março: as transgeneridades e o fundamentalismo religioso no Congresso Nacional Brasileiro. Colineares, Mossoró, Brasil, v. 11, n. 1, p. 15–27, 2026. DOI: 10.59776/2357-8203.2026.7471. Disponível em: https://homologacaoperiodicos.apps.uern.br/index.php/RCOL/article/view/7471. Acesso em: 27 mar. 2026.